MERCADORES DA TRADIÇÃO: os usos da tradição nas quadrilhas juninas do Ceará

Hayeska Costa Barroso

Resumo


O objetivo do presente artigo é compreender a dinâmica da organização dos grupos de quadrilhas juninas cearenses, de modo a apreender especificamente: sua organização interna, os conflitos entre a tradição e a modernidade, o papel dos festivais competitivos nessa dinâmica, o olhar dos diversos sujeitos envolvidos na trama do cenário quadrilheiro sobre suas atuais configurações, bem como os conflitos e contradições próprios a essa realidade social. Para tanto, um caso particular foi delimitado para a análise: a Quadrilha Arraiá do Zé Testinha, na cidade de Fortaleza-Ceará. A Zé Testinha se auto-identifica como uma quadrilha junina tradicional, dando ênfase a um discurso que visa fortalecer uma oposição entre tradição e modernidade. Dentre os inúmeros elementos auto-intitulados tradicionais, destaca-se o cangaço como temática permanente adotada pela quadrilha. É possível verificar que o grupo procura elaborar símbolos de distinção frente às demais quadrilhas juninas, com o objetivo não de representar um passado remoto, arcaico-tradicionalizante, mas de destacar-se diferenciadamente num cenário em que se observa certa tendência à homogeneização.
Palavras-chave: Tradição. Modernidade. Quadrilha Junina. Cultura Popular.


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